No coração da Mata Atlântica dos campos de altitude, um alimento tradicional e símbolo da sociobiodiversidade do sul do Brasil ganha ainda mais protagonismo. O Plano de Ação para Potencialização da Cadeia Produtiva do Pinhão marca um importante passo para a valorização do uso sustentável da Araucaria angustifolia, espécie emblemática e ameaçada de extinção, essencial para a manutenção dos remanescentes da Floresta Ombrófila Mista (FOM).
A iniciativa integra as ações do Plano de Ação Territorial para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Planalto Sul (PAT Planalto Sul), desenvolvido no âmbito do Projeto Pró-Espécies: Todos Contra a Extinção. O PAT abrange 43 municípios – sendo 27 no Rio Grande do Sul e 16 em Santa Catarina – totalizando uma área de cerca de 32 mil km², com ecossistemas singulares como campos de altitude, florestas nebulares e cânions, todos pertencentes ao bioma Mata Atlântica e caracterizados por alta vulnerabilidade ambiental.
A cadeia produtiva do pinhão, historicamente ligada à agricultura familiar e ao extrativismo sustentável, se revela uma aliada estratégica na conservação da biodiversidade regional. Em Santa Catarina, essa atividade envolve milhares de famílias e promove benefícios ambientais e sociais, como a conservação dos remanescentes florestais; a regeneração da Floresta Ombrófila Mista; a manutenção de habitats para espécies ameaçadas; e a geração de renda anual para comunidades locais.
Fortalecer essa cadeia significa reconhecer o potencial da conservação pelo uso responsável dos recursos naturais, incentivando práticas produtivas que respeitam os ciclos ecológicos, promovem justiça social e valorizam os saberes tradicionais.
O Plano reforça a abordagem transversal do PAT Planalto Sul, ao aliar conservação da biodiversidade, geração de renda, segurança alimentar e valorização de saberes locais. Ao colocar o pinhão no centro dessa estratégia, a ação demonstra que é possível integrar desenvolvimento local e proteção da natureza, promovendo impactos positivos duradouros nos territórios.
A publicação foi realizada pelo Instituto de Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), no âmbito do Projeto 029840 – Estratégia Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas – Pró-Espécies: Todos Contra a Extinção, com financiamento do Global Environment Facility Trust Fund (GEF). A iniciativa conta com a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), implementação do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e execução do WWF-Brasil.