Equipe do CNCFlora/JBRJ realiza expedição científica para coleta de material botânico no Espinhaço Mineiro

Publicado em 30 de junho de 2022
Equipe do CNCFlora/JBRJ realiza expedição científica para coleta de material botânico no Espinhaço Mineiro Créditos: Eustáquio Rodrigues de Freitas. Pico da Formosa, Minas Gerais.

Por Marcio Verdi e Fernanda Saleme (CNCFlora/JBRJ). Entre os dias 28 de março e 11 de abril de 2022, o Centro Nacional de Conservação da Flora do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora/JBRJ) realizou uma expedição científica para o território do Plano de Ação Territorial para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Território Espinhaço Mineiro (PAT Espinhaço Mineiro), na região Norte de Minas Gerais, no âmbito do Projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção. A expedição foi realizada com o objetivo de consultar e registrar a ocorrência de espécies ameaçadas da flora, além de levantar informações atualizadas sobre a flora para subsidiar o processo de avaliação do risco de extinção e de elaboração e implementação de ações de conservação. A equipe também coletou amostras botânicas (voucher) de outras plantas não ameaçadas que estavam em estado reprodutivo (com flor, fruto ou soros), buscando aumentar o esforço de coleta no território e preencher a lacuna de conhecimento sobre a flora na região Norte de Minas Gerais. Com isso, a expedição contribui também com a implementação da Ação 1.10 do PAT Espinhaço Mineiro, coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG). Essa ação diz respeito a realização de expedições botânicas em áreas lacunas de coleta, principalmente naquelas com pouco registro de espécies ameaçadas e beneficiadas, como no norte do território do PAT e áreas remotas de Unidades de Conservação. As atividades de campo foram realizadas no interior dos Parques Estaduais de Botumirim (município de Botumirim), Serra Nova e Talhado (Porteirinha e Serranópolis de Minas) e Caminhos dos Gerais (Espinosa, Gameleiras, Mamonas e Monte Azul), consideradas áreas protegidas ainda pouco conhecidas em relação a flora, além da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Rolinha-do-Planalto. Também foram realizadas coletas em áreas não protegidas, como o Pico da Formosa e Areinha Branca, ambas no município de Monte Azul. A expedição foi autorizada pelo SISBIO (Autorização nº 81276-2) e pelo IEF-MG (Autorização nº 011/2022). Marcio Verdi, especialista do Centro Nacional de Conservação de Flora (CNCFlora/JBRJ) e membro do Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) do PAT Espinhaço Mineiro coordenou a expedição, com a participação dos bolsistas Fernanda Saleme e Lucas Arguello, ambos do CNCFlora/JBRJ. Eles contaram também com o apoio em campo das equipes do IEF-MG Ana dos Santos, Cássio Anacleto Martins de Melo e Ralison Airan Silveira Pereira (P.E. Serra Nova e Talhado), Alessandre Custódio Jorge, Janderson Rodrigues dos Santos e José Ricardo Teixeira (P.E. Caminho dos Gerais), além dos guias locais Eustáquio Rodrigues de Freitas (Pico da Formosa e Areinha Branca) e Osmane Pereira da Silva (P.E. Botumirim). Ao final da expedição, a equipe coletou mais de 1.000 amostras botânicas e 13 plantas vivas (bromélias, cactos, orquídeas e plantas insetívoras). Agora, as amostras estão sendo preparadas para a inclusão na coleção científica do Herbário RB e para o cultivo nas coleções do Bromeliário, Cactário, Orquidário e Plantas Insetívoras do JBRJ. Esses resultados contribuem significativamente com o aumento do conhecimento sobre a flora da região Norte de Minas Gerais e do território do PAT Espinhaço Mineiro. É importante ressaltar que as amostras botânicas ainda serão identificadas pelos especialistas botânicos, através da análise do material depositado na coleção do Herbário RB do JBRJ ou de duplicatas enviadas para outras coleções nacionais e internacionais. Existe a possibilidade de descoberta de novas espécies a partir das amostras coletadas. Por enquanto, os novos registros realizados na expedição ampliam a distribuição conhecida de algumas espécies e o conhecimento sobre suas ocorrências no interior de áreas protegidas. Já se sabe que ao longo da expedição foram encontradas e coletadas as espécies: Criticamente em Perigo - CR Discocactus pseudoinsignis (Cactaceae), Em Perigo – EN Drosera graomogolensis (Droseraceae), Micranthocereus violaciflorus (Cactaceae), Trembleya hatschbachii (Melastomataceae), Vulnerável – VU Cipocereus minensis (Cactaceae), Paliavana werdermannii (Gesneriaceae), Proteopsis argentea (Asteraceae) e Turnera luetzelburgii (Turneraceae). Esta foi a segunda expedição de uma série de cinco que estão previstas para acontecerem este ano sob a coordenação do CNCFlora/JBRJ, no âmbito do Projeto Pró-Espécies. A próxima expedição objetiva levantar dados de espécies ameaçadas ou pouco conhecidas da região Leste de Minas Gerais.

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